sexta-feira, 20 de dezembro de 2013



05 de dezembro de 2013.
Saímos de Belém por volta das 9:30 da manhã e alcançamos o município de Salinópolis próximo das 13:00, portanto, início da tarde. Como a equipe estava incompleta, nos dividimos para realizarmos as tarefas em tempo hábil, ou seja, antes di final da tarde, quando a maré sobre e dificulta qualquer ação na praia.
Bruna, Chris,Sue e o motorista do MPEG, Lucivaldo, se dirigiram para os afloramentos de rochas carbonáticas que se estendem na Praia do Atalaia em direção á Praia do Farol Velho. Eu fui em direção contrária, seguindo as barracas que ficam à beira-mar para tentar conversar com os proprietários dos estabelecimentos que ficam localizados próximos aos tais afloramentos. A ideia era investigar junto a eles se sabiam que ali afloravam fósseis, se achavam que aquilo era um patrimônio para a comunidade e se achavam também que a praia precisava de mais atrativos para receber o turista.
A maioria concordou com o fato de que a praia realmente necessita de mais equipamentos para o turismo. Tais equipamentos hoje se restringem às próprias barracas, e parece claro que o turista deseja bem mais do que um guarda-sol e uma cerveja na faixa de areia. Dentre os comerciantes entrevistados, uma grata surpresa foi Sr. Carlos. Catarinense aposentado que escolheu Salinópolis como refúgio para si e para a esposa, ele não só tinha ciência do aparecimento de fósseis nas rochas como me mostrou bastante interesse pelo assunto, visto que em certo momento de nossa conversa, me deixou esperando um bocado para então retornar com alguns exemplares de costelas de peixe-boi marinho, uma vértebra do mesmo animal e dois exemplares de croprólitos. Após sua exposição sobre os fósseis que vinha reunindo já há alguns anos, lhe expliquei o teor da minha pesquisa e mencionei que voltaria logo mais, já que estava na companhia de outros bolsistas do MPEG e com nossa orientadora, que certamente iria ficar bastante satisfeita em conversar com ele.
Conversei ainda com outros proprietários desses estabelecimentos. A maioria realmente conhece os afloramentos, mas alguns não têm ideia do que sejam aquelas formas curiosas descobertas pelo mar, outros, a minoria, não sabia e tampouco tinham ouvido falar sobre o que vinham a ser os fósseis. Ao final da tarde, avaliei as entrevistas obtidas como produtivas e retornei para os afloramentos, afim de encontrar o restante da minha equipe.
Ao encontrá-los, estavam  bastante excitados: nossa orientadora tinha localizado o um crânio de peixe-boi, mas a maré havia subido muito rápido e havia sido impossível retira-lo. E mais, possivelmente estivesse junto das costelas e vértebras, ou seja, contabilizando que no acervo de Paleontologia do MPEG tínhamos apenas um crânio e uma infinidade de costelas e vértebras separadas, achar um animal daqueles quase completo era como “acertar na loteria”!

Assim, seguimos para o hotel, esperançosos de as ondas não escavarem aquela maravilha e levarem-no para o mar.
 
06 de dezembro de 2013.
Nó dia seguinte, a maré mais uma vez só estaria suficiente baixa após o almoço. Esperamos ansiosamente pela hora de rumarmos para os afloramentos. Aquilo era um momento emocionante, pois havia a possibilidade de encontrarmos um bom exemplar ou também de tê-lo perdido para sempre. Mas bem, a sorte estava do nosso lado e na hora propícia rumamos para o local marcado pelo GPS. Sem muitas dificuldades, localizamos os restos de um belo peixe-boi do Mioceno, enterrado sob as areias. Exposto estava o seu crânio, com a arcada dentária à mostra. A água havia depositado pouca areia sobre o crânio, mas localizar as costelas e as vértebras foi um tanto dificultoso. No meio disso tudo havia a subida da maré, que regularia nosso trabalho, nos dando pouco tempo para agir e exumar aquele maravilhoso conjunto. Novamente nos dividimos. Enquanto cuidei de localizar as vértebras e as costelas, os outros se debruçaram sobre o crânio, muito alquebrado e frágil. Não sei precisar quanto tempo levamos para retirar tudo, mas pouco antes da maré voltar a encher (e juro,  achei que não ia ser possível), conseguimos retirar a maior parte daquele esqueleto fossilizado, incluindo aí o crânio, fragmentos das garras e grande parte das vértebras e costelas. Acondicionamos o crânio, que sem dúvida foi a parte mais trabalhosa para ser exumada, de modo que não fosse afetado ainda mais pela viagem de volta, e partimos rumo a Belém e ao MPEG, com a certeza de dever cumprido e de termos conseguido um lindo exemplar para ser depositado na coleção de Paleontologia a qual nos dedicávamos.