05 de dezembro de
2013.
Saímos de Belém por volta das 9:30 da manhã e alcançamos o
município de Salinópolis próximo das 13:00, portanto, início da tarde. Como a
equipe estava incompleta, nos dividimos para realizarmos as tarefas em tempo
hábil, ou seja, antes di final da tarde, quando a maré sobre e dificulta
qualquer ação na praia.
Bruna, Chris,Sue e o motorista do MPEG, Lucivaldo, se
dirigiram para os afloramentos de rochas carbonáticas que se estendem na Praia
do Atalaia em direção á Praia do Farol Velho. Eu fui em direção contrária,
seguindo as barracas que ficam à beira-mar para tentar conversar com os
proprietários dos estabelecimentos que ficam localizados próximos aos tais
afloramentos. A ideia era investigar junto a eles se sabiam que ali afloravam
fósseis, se achavam que aquilo era um patrimônio para a comunidade e se achavam
também que a praia precisava de mais atrativos para receber o turista.
A maioria concordou com o fato de que a praia realmente
necessita de mais equipamentos para o turismo. Tais equipamentos hoje se
restringem às próprias barracas, e parece claro que o turista deseja bem mais
do que um guarda-sol e uma cerveja na faixa de areia. Dentre os comerciantes
entrevistados, uma grata surpresa foi Sr. Carlos. Catarinense aposentado que
escolheu Salinópolis como refúgio para si e para a esposa, ele não só tinha
ciência do aparecimento de fósseis nas rochas como me mostrou bastante interesse
pelo assunto, visto que em certo momento de nossa conversa, me deixou esperando
um bocado para então retornar com alguns exemplares de costelas de peixe-boi
marinho, uma vértebra do mesmo animal e dois exemplares de croprólitos. Após
sua exposição sobre os fósseis que vinha reunindo já há alguns anos, lhe expliquei
o teor da minha pesquisa e mencionei que voltaria logo mais, já que estava na
companhia de outros bolsistas do MPEG e com nossa orientadora, que certamente iria
ficar bastante satisfeita em conversar com ele.
Conversei ainda com outros proprietários desses
estabelecimentos. A maioria realmente conhece os afloramentos, mas alguns não
têm ideia do que sejam aquelas formas curiosas descobertas pelo mar, outros, a
minoria, não sabia e tampouco tinham ouvido falar sobre o que vinham a ser os
fósseis. Ao final da tarde, avaliei as entrevistas obtidas como produtivas e
retornei para os afloramentos, afim de encontrar o restante da minha equipe.
Ao encontrá-los, estavam bastante excitados: nossa orientadora tinha
localizado o um crânio de peixe-boi, mas a maré havia subido muito rápido e
havia sido impossível retira-lo. E mais, possivelmente estivesse junto das costelas
e vértebras, ou seja, contabilizando que no acervo de Paleontologia do MPEG tínhamos
apenas um crânio e uma infinidade de costelas e vértebras separadas, achar um
animal daqueles quase completo era como “acertar na loteria”!
Assim, seguimos para o hotel, esperançosos de as ondas não
escavarem aquela maravilha e levarem-no para o mar.
06 de dezembro de
2013.
Nó dia seguinte, a maré mais uma vez só estaria suficiente
baixa após o almoço. Esperamos ansiosamente pela hora de rumarmos para os
afloramentos. Aquilo era um momento emocionante, pois havia a possibilidade de
encontrarmos um bom exemplar ou também de tê-lo perdido para sempre. Mas bem, a
sorte estava do nosso lado e na hora propícia rumamos para o local marcado pelo
GPS. Sem muitas dificuldades, localizamos os restos de um belo peixe-boi do
Mioceno, enterrado sob as areias. Exposto estava o seu crânio, com a arcada
dentária à mostra. A água havia depositado pouca areia sobre o crânio, mas
localizar as costelas e as vértebras foi um tanto dificultoso. No meio disso
tudo havia a subida da maré, que regularia nosso trabalho, nos dando pouco
tempo para agir e exumar aquele maravilhoso conjunto. Novamente nos dividimos.
Enquanto cuidei de localizar as vértebras e as costelas, os outros se
debruçaram sobre o crânio, muito alquebrado e frágil. Não sei precisar quanto
tempo levamos para retirar tudo, mas pouco antes da maré voltar a encher (e
juro, achei que não ia ser possível),
conseguimos retirar a maior parte daquele esqueleto fossilizado, incluindo aí o
crânio, fragmentos das garras e grande parte das vértebras e costelas.
Acondicionamos o crânio, que sem dúvida foi a parte mais trabalhosa para ser
exumada, de modo que não fosse afetado ainda mais pela viagem de volta, e
partimos rumo a Belém e ao MPEG, com a certeza de dever cumprido e de termos
conseguido um lindo exemplar para ser depositado na coleção de Paleontologia a
qual nos dedicávamos.
